– MANIFESTA –

CULTURA EM ESTADO DE CONFERÊNCIA

 


Em meio à pandemia e ao pandemônio, como resposta viva à política da morte e da ignorância, emerge no Brasil um estado permanente de conferência nacional de cultura.

As culturas resistem, reúnem, revivem, revelam, mobilizam, dizem quem somos e o que queremos da vida.

A cultura convida o Brasil a re-existir, a se reencontrar, a se reencantar, a reinventar sentidos utópicos para construir um mundo melhor, que tenha como horizonte um reencontro do povo brasileiro com aquilo que nos tem feito especiais ao planeta.

Estamos numa linha direta com a Confederação dos Tamoios, a Guerra dos Bárbaros dos Índios Kariris, o Quilombo dos Palmares, a Revolta dos Malês, a casa da Tia Ciata, a Semana de Arte Moderna de 22, o Tropicalismo, o Mangue Beat, as marchas das Margaridas, dos povos indígenas e dos trabalhadores sem-terra, e de muitos outros movimentos e revoltas populares do Brasil.

Invocamos nossos ancestrais e pedimos licença aos povos indígenas e ao povo negro, estejam nos meios urbanos, nas aldeias ou em quilombos.

O que se quer só faz sentido se puder ser expressão de nossa diversidade étnica, regional, social, artística, identitária e de gênero; se for inclusiva, solidária e plural.

O discurso de posse de Gilberto Gil no MinC ainda faz pulsar nosso pensamento e o que somos:

“Cultura como tudo aquilo que, no uso de qualquer coisa, se manifesta para além do mero valor de uso. Cultura como usina de símbolos de um povo. Cultura como o sentido de nossos atos, a soma de nossos gestos, o senso de nossos jeitos”

É pela cultura que nos posicionamos como nação. Pela cultura poderemos mostrar ao mundo uma nova maneira de ser e de nele estar, contribuir com novos sentidos e significados para a vida.

Ao Brasil ainda cabe um papel transformador rumo a uma sociedade emancipatória onde prevaleça a justiça social.

Temos um legado. E dele faz parte o Ministério da Cultura que queremos de re-volta. Não por acaso sua criação em 1985 coincide com a redemocratização do país.

Por meio de amplas conferências locais, setoriais, regionais e nacionais, muito foi discutido e deliberado coletivamente e com alto grau de representatividade em todos os aspectos da vida social e cultural do Brasil.

Nelas massageou-se os pontos vitais da cultura brasileira com uma força que ainda se manifesta por meio da livre conferência nacional que aqui com elevado espírito de espontaneidade vai se arranjando e tomando corpo.

Muito do que se discutiu e pensou ainda existe e resiste à fúria destruidora de agora. O Sistema Nacional de Cultura criou raízes em muitos lugares do país.

Muitos Pontos e os Pontões de Cultura resistem.

As políticas de participação social, de cidadania e diversidade cultural, de apoio aos griôs e mestres da cultura, de fomento às artes, de incentivo à leitura e ao direito autoral, de promoção das expressões do patrimônio cultural e da memória produziram desdobramentos inimagináveis em distintos territórios do Brasil.

Urge recuperarmos o pacto coletivo que nos tornou forte e politicamente influentes. Precisamos interromper e recuperar o desmonte em curso.

Precisamos dessa convergência em defesa de todos os modos de vida e do pleno exercício da cidadania cultural, em defesa da saúde, do trabalho, do meio ambiente, da educação, dos direitos humanos, da diversidade, da democracia e da livre expressão e de pensamento. Nisto se inclui a convivência democrática e sustentável com os recursos naturais e o acesso à terra, tanto quanto aos meios de comunicação.

Nesses tempos que correm, as artes e a cultura devem assumir um papel político central. São elas as dimensões vitais para a reinvenção do mundo e da vida em sociedade.

Precisamos reativar o do-in antropológico com a potência solidária do Brasil.
Em estado de Emergência, a cultura brasileira é convocada a reunir-se novamente. Agora, em torno da Lei Aldir Blanc, por meio de uma Conferência em estado permanente. Que não só atenda às necessidades urgentes de um dos segmentos mais afetados pela pandemia da Covid-19, mas que também possa estabelecer, de forma pioneira, as bases para a distribuição dos recursos previstos pelo Sistema Nacional de Cultura. Em torno dela poderemos iniciar um novo ciclo de políticas culturais no Brasil, garantidor de sua permanência e continuidade.

Com força e amor no coração, convidamos a todas, todes e todos em suas comunidades e territórios a se achegarem nesta jornada para a criação da Conferência Popular de Cultura.

Somos um ato de re-existência e de reinvenção do Brasil.

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CULTURA EM ESTADO DE CONFERÊNCIA

 


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